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Pacientes cardíacos são mais vulneráveis às consequências da dengue




Dor no peito: sIntoma clássico, a dor também pode irradiar-se para o lado esquerdo do corpo e ombro, além das mandíbulas. É uma dor de pressão no peito. Foto: Thinkstock/Getty Images

Diante do aumento da incidência de dengue em todo o País, o resultado é mais do que preocupante: muitos casos graves da doença resultam, inclusive, em mortes. Para pessoas com problemas no coração, o risco à saúde é maior ainda. Isso porque o tratamento da dengue exige a suspensão do AAS (ácido acetil salicílico), medicamento essencial para maioria dos cardíacos, mas que traz sérios riscos de hemorragia em casos da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

O AAS previne a formação de coágulos que podem levar ao infarto e angina. Médicos explicam que um acompanhamento rígido nesses casos é necessário para evitar problemas mais graves.

"Há um grupo de pacientes em situação mais crítica: aqueles que fizeram angioplastia e usam AAS e outras medicações associadas para evitar a trombose do stent que foi implantado na coronária depois de promover o desentupimento dela", diz Abrão Cury, cardiologista do Hospital do Coração (HCor).

Quando alguém recebe um stent para manter a coronária "aberta" para o sangue fluir, o sistema imunológico entende que o implante é um corpo estranho, e tenta atacá-lo. Esse ataque aumenta o risco, estatisticamente, de formação de coágulos, que provocariam um infarto. Segundo Cury, o risco é alto no primeiro ano de implante. Depois desse período, o sistema imunológico acostuma com o corpo estranho e entende que agora ele faz parte do organismo e as chances de um ataque diminuem consideravelmente.

"Pessoas que têm esse dispositivo instalado precisam tomar remédios para prevenir o entupimento da coronária, então o AAS [que tem uso contraindicado em casos de dengue] é a recomendação para 100% das pessoas", diz o médico.

Dilema recente

É aí que começa o dilema da medicina: como tratar um paciente que não pode ficar sem o AAS, mas deixá-lo em risco de sofrer uma hemorragia por causa do uso do remédio enquanto está com dengue? Os médicos afirmam que a situação ainda é nova. "Ficamos entre a espada e a parede", diz o cardiologista do Instituto do Coração (Incor), Alexandre Soeiro, sobre como tratar o paciente.

"Não sabemos muito bem ainda porque é uma coisa recente. Até pouco tempo atrás não tínhamos esse problema [de epidemia de dengue], e agora temos que nos preocupar com o efeito colateral do AAS sobre a quantidade de plaquetas", diz Soeiro, referindo-se a um dos problemas causados pela dengue: a queda de plaquetas. O AAS diminui ainda mais essas plaquetas, aumentando o risco de sangramento no corpo. Quando esse sangramento acontece no cérebro, é o chamado AVC hemorrágico.

Por outro lado, explica Soeiro, o AAS é um excelente protetor da coronária e do coração em geral. "Mas faz a plaqueta diminuir a funcionalidade, para não formar coágulo e trombo no coração".

O cardiologista do Incor conta que os médicos não sabem qual é o procedimento ideal. "Não temos trabalhos científicos sobre isso. Pesando o risco-benefício, nossa orientação é suspender o AAS", conta ele. "Tem risco de ter um novo infarto? Tem, sim, mas não só pela suspensão dele. Talvez parar com o AAS seja um agravante a mais", preocupa-se ele.

Abrão Cury indica que o paciente com problemas cardíacos e que correria riscos ao suspender o AAS seja internado para um acompanhamento mais rígido. "Os pacientes de risco um pouco maior devem ser internados e ficar lá até passar o período da doença. Depois disso, podem voltar a tomar a medicação".

A internação é necessária para acompanhar todos os sinais do doente. Se ele apresentar sintomas de que está infartando, já estará dentro do hospital e o atendimento será muito mais ágil.

Lançar mão de repelentes para ter certeza de que está protegido é uma atitude que pode salvar a vida de quem tem problemas do coração com necessidade de tomar o AAS. Além disso, medidas para evitar a proliferação da dengue em água parada devem ser tomadas por todos. A melhor forma de prevenir a doença é procurar focos de água limpa e parada em casa e eliminá-los. Objetos que acumulem água devem ser guardados de cabeça para baixo ou outra forma que impeça que o depósito de água. É importante lembrar que as caixas de água devem ser mantidas fechadas.


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