Vacina contra dengue não deve chegar ao mercado antes de 2014






O processo de submissão às autoridades regulatórias de cada país costuma demorar, então, infelizmente, não podemos esperar que o produto esteja no mercado já no fim de 2012 ou em 2013", pondera Lúcia Bricks, diretora de saúde pública da empresa, que apresenta pesquisas clínicas em fase mais avançada, até o momento, para uma vacina contra a dengue.

Os primeiros testes em humanos com a vacina no Brasil começaram no mês passado em Vitória (ES), em um grupo de 150 jovens de 9 a 16 anos. "Até agora, já foram recrutados 50 voluntários, e eles já receberam a primeira dose da vacina", conta o responsável pela pesquisa no Estado, o médico Reynaldo Dietze, da Universidade Federal do Espírito Santo. A previsão é que o estudo, que está na Fase 2 , seja concluído em 18 meses.

Do total de participantes, 100 devem receber a vacina e 50, placebo. "Nós não sabemos quem tomou a vacina ou o placebo, mas até agora nenhum efeito colateral importante foi observado", afirma Dietze. As reações esperadas para o produto em teste são dores locais, febre e mal-estar. "São sintomas moderados e autolimitados", esclarece o médico.

Segundo Dietze, o Núcleo de Doenças Infecciosas (NDI) da Ufes foi escolhido para sediar o primeiro estudo por possuir toda a infraestrutura necessária para o acompanhamento dos pacientes. "Os participantes da pesquisa precisam ser avaliados a qualquer infecção que venham a apresentar, para que seja descartada a possibilidade de dengue", exemplifica o médico. Além disso, o município conta com um sistema de monitoramento do mosquito Aedes aegypti que permite avaliar, com precisão, qual o sorotipo presente em cada bairro.

No ano que vem, está previsto o início da Fase 3 do estudo clínico, que também incluirá o Brasil. Os testes ainda estão em aprovação nos comitês de ética em pesquisa, mas devem incluir 8.000 pacientes residentes em Goiânia (GO), Natal (RN), Fortaleza (CE) e Campo Grande (MS).

Como é a vacina

A vacina testada pela Sanofi é eficaz contra os quatro sorotipos da doença (como a imunidade contra um dos sorotipos faz com que o contato com outro possa causar uma versão mais grave da doença, não seria sensato lançar um produto para cada tipo de dengue). Ela é fabricada a partir do vírus vivo atenuado e conta com uma proteína de uma das cepas da vacina contra a febre amarela. Até agora, o estudo já envolveu cerca de 5.000 pacientes (incluindo os grupos que receberam placebo).

O produto em estudo é administrado em três doses, com intervalo de 6 meses entre cada uma. "Já verificamos que pessoas que tiveram contato anterior com o vírus da febre amarela e da encefalite japonesa desenvolvem imunidade após apenas duas doses", conta Fernando Noriega, chefe de desenvolvimento clínico da Sanofi Pasteur para a América Latina.

Segundo o Ministério da Saúde, há cinco pesquisas clínicas para produção de vacinas contra dengue em fase mais adiantada de estudos. A da Sanofi Pasteur é a que está em estágio mais avançado. O governo tem participação em duas delas – uma conduzida pelo Instituto Butantan, em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), e outra pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a farmacêutica GlaxoSmithKline. Outros dois estudos, ainda em Fase 1, estão sendo conduzidos pela Hawaii Biotech e pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), respectivamente.

Risco para crianças

A vacina é a única esperança de combate eficaz à doença, segundo especialistas. "Em nenhum lugar do mundo em que a dengue se instalou ela pôde ser controlada", garante Dietze. Cerca de 230 milhões de pessoas são infectadas anualmente em todo o mundo.

No Brasil, em 2010, já foram notificados mais de 940 mil casos da doença, de acordo com João Bosco Siqueira, professor do Instituto de Patologia e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás. Em 2009, foram 551 mil casos.

Desde 2008, a dengue tem representado uma ameaça para crianças e jovens – mais de 25% dos casos têm ocorrido em menores de 15 anos, padrão que não foi observado nos anos anteriores. "Em municípios grandes, a faixa etária chegou a representar mais de 50% dos casos", comenta Siqueira. Ele explica que a mudança de prevalência do sorotipo 3 para o 2 pode ter sido a causa da migração de casos graves para indivíduos mais jovens. "Este ano, a prevalência é do sorotipo 1 e não sabemos que o retorno do sorotipo 2, no ano que vem, pode trazer um cenário pior ainda", comenta.

Outro receio em relação à dengue se refere aos casos do sorotipo 4 detectados em Roraima. "A região é bastante isolada, mas em algum momento esse sorotipo vai se espalhar para o resto do país", avalia Dietze.
 
Vacina contra dengue não deve chegar ao mercado antes de 2014 Vacina contra dengue não deve chegar ao mercado antes de 2014 Editado por Dani Souto on 14:44 Nota: 5

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